domingo, 2 de agosto de 2015

JOVENS FORTES!

JOVENS FORTES!

O apóstolo João já era idoso quando escreveu: “[...] Jovens, eu vos escrevo porque vencestes o Maligno [...] Jovens, eu vos escrevi porque sois fortes, e a palavra de Deus permanece em vós, e já vencestes o Maligno” (1João 2:13b,14c). Ao ler o texto podemos perceber que a referência aos jovens parece ser intencional, pois ele fala aos pais e às crianças apenas uma vez. Entre esses dois grupos (filhinhos e pais) estão os jovens. Qual o objetivo do apóstolo em dar essa ênfase?
A juventude é um dos momentos mais importantes da existência humana, embora seu conceito seja algo ainda sem uma definição completa. Pierre Bourdieu (1930-2002) fala que o conceito de juventude é algo manipulada e manipulável (PAIS, 1990, p. 140), algo arbitrário e que tende a impor limites e impor limites e produzir uma ordem. Como ele mesmo diz: “Somos sempre o jovem ou o velho de alguém. É por isto que os cortes, seja em classes de idade ou em gerações, variam inteiramente e são objeto de manipulações [...] O que quero lembrar é simplesmente que a juventude e a velhice não são dados, mas construídos socialmente na luta entre os jovens e os velhos. As relações entre a idade social e a idade biológica são muito complexas” (BOURDIEU, 1983, p. 113).
Se em nosso tempo ser jovem parece ser algo sem muita certeza, nos tempos de João e na sociedade judaica em especial, era algo muito claro e funcional. Aos treze anos o homem (e doze para as mulheres) entrava na vida adulta por meio do Bar Mitsvah (Filho do mandamento), quando ele atinge a idade para se comprometer com a Lei de Deus e com Sua aliança. O jovem era alguém que estava entre os 20 e 50 anos, o que representa alguém no auge de sua força física e mental, tendo oportunidades para aprender e desenvolver o aprendizado.
A vida cristã não consiste em viver grato pela salvação apenas, mas também de lutar pelo Evangelho de Cristo e combater o inimigo. O perdão dos pecados deve ser acompanhado por um desejo intenso de rejeitar o sistema do mundo e buscar a santificação. Assim, João escreve aos jovens da igreja e coloca-os como vencedores e isso aponta para a força da igreja.
Jovens, vocês foram chamados a se envolverem com a causa de Cristo. Não há espaço para ficar de braços cruzados, esperando que algo aconteça do céu ou que um anjo os guie. No jovem há força, ideias, flexibilidade e tantos outros atributos importantes quando falamos de ministério no Corpo de Cristo. Quando os jovens param a igreja sofre muito, pois a força física e criativa da igreja fica inativa.
Infelizmente Satanás tem atacado os jovens e adolescentes de nosso tempo, seja com as distrações desse tempo, tais como as redes sociais, no mundo com lugares cheios de outros jovens, com bebidas, sexo e tantas outras armadilhas, seja com críticas ao Evangelho e à Igreja. Para muitos a igreja não é o lugar do jovem; no entanto, não há engano mais do que esse.
Quando olhamos as Escrituras vemos que Deus usou jovens com grande poder: José, Samuel, Davi, Isaías, Jeremias, Daniel e seus amigos e tantos outros. O Senhor Jesus desde cedo tinha plena consciência do Seu chamado já aos doze anos de idade (cf. Lucas 2:42-52). O próprio João era o mais novo dos discípulos de Jesus e participou ativamente da obra missionária desde o início ao lado de Pedro. O jovem Timóteo foi discípulo de Paulo e muito importante na obra missionária do apóstolo.
Deus ama usar os jovens e o que eles precisam é seguir a orientação que João deixou: “[...] e a palavra de Deus permanece em vós, e já vencestes o Maligno”. Por que são fortes? Porque a Palavra de Deus permanece neles, porque captaram a revelação cristã e procuram amoldar suas vidas às exigências éticas que Deus determina. Não é assim que diz o salmista? “Como o jovem guardará puro o seu caminho? Vivendo de acordo com a tua palavra [...] Guardei a tua palavra no meu coração para não pecar contra ti” (Salmo 119:9).
Vencer o maligno é a consequência de permanecer na Palavra. E você, querido adolescente e jovem, também poderá vencer o maligno e glorificar a Deus quando permanecer na Palavra. E o que significa permanecer na Palavra? Significa mais do que decorar versículos, mais que frequentar a Igreja. Permanecer na Palavra significa permanecer em Jesus: “Permanecei em mim, e eu permanecerei em vós. O ramo não pode dar fruto por si mesmo, se não permanecer na videira; assim também vós, se não permanecerdes em mim. Eu sou a videira; vós sois os ramos. Quem permanece em mim e eu nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer” (João 15:4,5). Permanecer em Cristo significa viver debaixo de Seu senhorio, alinhado com Sua vontade expressa nas Escrituras, crendo que é melhor ser fiel a Cristo do que ao mundo. Permanecer em Cristo significa dizer “sim” à vontade de Deus e “não” ao pecado; significa amar a Deus de todo o coração e resistir ao diabo.
Portanto, acorde jovem! Saia do sistema do mundo que diz que você tem que viver a vida e morra para si mesmo. Saia do sistema que diz que você deve encontrar satisfação em si mesmo e busque a satisfação unicamente em Cristo. Saia do casulo pós-moderno e embarque na maior aventura de sua vida, seguir a Cristo até o fim!

Uma boa semana! Fraternalmente em Cristo, Pr. Gilson Jr.

sexta-feira, 24 de julho de 2015

O CRISTIANISMO NA FRANÇA

O CRISTIANISMO NA FRANÇA

O cristianismo penetrou na antiga província romana da Gália já no segundo século, quando surgiram pequenas comunidades cristãs no sul, principalmente em Lyon. No ano 177 d.C. essa igreja sofreu com a perseguição do imperador Marco Aurélio (121-180 d.C.). Dentre os maiores líderes e teólogos da igreja antiga destaca-se Irineu (Εἰρηναῖος), o ilustre bispo de Lyon, que morreu no ano 202 d.C. Como a história é extensa, vamos dar apenas uma noção cronológica dos fatos mais importantes.
·         Natal de 496 d.C.: O rei dos francos, Clóvis, foi batizado juntamente com três mil dos seus guerreiros e assim os ancestrais dos atuais franceses foram a primeira nação germânica a abraçar o cristianismo ortodoxo, trinitário, quando outros povos bárbaros já haviam aderido a uma concepção herética da fé cristã, o arianismo antitrinitário, negador da divindade de Cristo.
·         732 d.C. Carlos Martel (686-741 d.C.) derrota os exércitos muçulmanos procedentes da Península Ibérica na célebre e decisiva batalha de Tours, na França central. Ele inaugura uma nova dinastia, os Carolíngios, que durante o reinado do seu filho Pepino, o Breve (714-768 d.C.), solidificou-se uma simbiose entre a igreja e o poder secular que traria certas vantagens, mas também grandes malefícios para o cristianismo francês.
·         752 d.C. Pepino cedeu à Igreja os territórios da Itália central que vieram a constituir os Estados Pontifícios, que perduraram até o século XIX.
·             Natal de 800. Carlos Magno (742-814 d.C.), filho de Pepino, foi coroado imperador pelo papa Leão III em Roma. Ele foi o maior monarca do período inicial da Idade Média, promovendo a cultura (“renascimento carolíngio”), protegendo a igreja e ajudando os papas. Assim, os monarcas franceses sentiram-se no direito de exercer um controle crescente sobre a igreja, seus líderes e suas instituições. Isso gerou por séculos  uma constante luta pela supremacia entre os dois poderes, o estado francês e a cúria romana.
·       Século IX. Anskar de Hamburgo, monge franco, ficou conhecido como o apóstolo do norte, por ter sido o pioneiro cristão entre os vikings da Escandinávia.
·          Século X. O Mosteiro de Cluny que deu origem a um movimento reformador que muito beneficiou a igreja, purificando a sua liderança e reivindicando maior autonomia em relação ao poder temporal. Destaca-se aqui o monge Hildebrando, que se tornaria depois o papa Gregório VII.
·    Século XI. Surge na França a seita dos cátaros ou albigenses, que praticava um sincretismo cristão, gnóstico e maniqueísta, chegando a um extremo asceticismo. Condenados pelo 4º Concílio de Latrão (1215; Inocêncio III), os cátaros foram aniquilados por uma cruzada e pelas ações da Inquisição, oficializada em 1233.
·         Século XII. Os valdenses, surgidos em Lyon, foram condenados pelo Concílio de Verona em 1184, e perseguidos por vários séculos. Mais tarde abraçaram a Reforma Protestante.
·       Século XIII. Filipe IV, o Belo (1285-1314) fortaleceu a monarquia e preparou a França para tornar-se o primeiro estado nacional moderno. Ele entrou em confronto direto com o papa Bonifácio VIII (1294-1303), rejeitando qualquer intromissão de Roma nos assuntos internos da França, especialmente nas áreas econômica e judicial.
·      Século XIV. Ocorreu um acentuado declínio e descrédito para a igreja quando o papa francês Clemente V (1305-14) transferiu a Cúria para Avignon, no sul da França, dando início ao chamado “cativeiro babilônico da igreja” (1309-1377). A situação agravou-se ainda mais durante o Grande Cisma, em que por 40 anos houve papas rivais, um em Roma e outro em Avignon (1378-1417), ouvindo-se em toda a Europa um clamor por “reformas na cabeça e nos membros”.
·        Século XVI. A França era a maior potência da Europa, sendo governada por monarcas absolutistas. No início do seu reinado, Francisco I (1515-1547) firmou com o papa Leão X a Concordata de Bolonha (1516), que aumentou sensivelmente o poder da coroa sobre a igreja, concedendo ao monarca o direito de indicar os bispos e outras autoridades eclesiásticas. Foi nesse contexto que começaram a surgir na França às ideias revolucionárias pregadas pelo monge alemão Martinho Lutero, que propunha uma radical reforma teológica e institucional da Igreja com base nos princípios da centralidade das Escrituras, da justificação do pecador pela graça de Deus, mediante a fé em Jesus Cristo, e do sacerdócio universal de todos os fiéis.
Até 1520 Francisco I mostrou-se tolerante para com os protestantes franceses. No entanto, a tolerância transformou-se em hostilidade quando as circunstâncias políticas o levaram a precisar do apoio da hierarquia francesa e do papa, que agora, em troca desse apoio, exigiam a supressão dos protestantes. Como parte da aproximação com Roma, o rei promoveu o casamento do seu filho Henrique com Catarina de Médici, uma sobrinha do papa Clemente VII. A situação complicou-se ainda mais quando elementos protestantes radicais apelaram para a violência e iconoclasmo (destruição das imagens).
A partir de 1533, a perseguição de Francisco I contra os protestantes alternou-se entre prisões, torturas e execuções, e, ocasionalmente, a moderação exigida pelas alianças com os príncipes luteranos alemães na luta contra o imperador Carlos V. Muitos protestantes foram protegidos da severidade do rei pela sua própria irmã, Marguerite d’Angoulême, esposa do rei Henrique de Navarra, outra simpatizante das novas ideias.
O movimento de reforma na França precisou de auxílio externo, e esse veio da igreja reformada de Genebra, sob a firme liderança do mais ilustre dos protestantes franceses, o pastor e teólogo João Calvino (1509-1564). Calvino tornou-se conhecido em 1536, quando publicou a primeira edição da sua importante obra, As Institutas da Religião Cristã. O prefácio é uma longa carta a Francisco I, apelando em favor dos perseguidos. Com isso, repentinamente Calvino viu-se transformado no grande líder, ideólogo e apologista do protestantismo francês.
A partir de Genebra muitos pastores foram treinados e enviados à França. A igreja protestante sofreu muitos martírios, com crentes sendo torturados de forma horrível e alguns tendo suas línguas cortadas para não anunciarem sua fé. O episódio mais infame desse período foi a Noite de São Bartolomeu (24/08/1572) que eliminou cerca de 20 mil huguenotes (protestantes). Em 1598 foi proclamado o Edito de Nantes que concedia aos huguenotes liberdade de culto, sendo eles 15% da população nessa época. No entanto, em 1685 Luís XIV revogou esse Édito e provocou um êxodo de 300 mil huguenotes para a Europa e Estados Unidos. A igreja protestante francesa ficou conhecida como “A igreja no deserto”.
O protestantismo francês foi importante na luta pela liberdade de culto e de consciência. Muitos protestantes apoiaram a Revolução Francesa e se comprometeram que a religião jamais interferisse na vida civil com violência. Hoje a França clama por salvação, pois o laicismo retirou a fé do coração francês. Durante essa semana ore pela França e pelas igrejas que ainda sobrevivem numa cultura secularizada e sem Deus.

Uma boa semana! Fraternalmente em Cristo, Pr. Gilson Jr.

sábado, 11 de julho de 2015

O CRISTIANISMO NA ESPANHA

O CRISTIANISMO NA ESPANHA

No século I o apóstolo Paulo expressou seu desejo de ir à Espanha: “Mas, agora, não tendo mais o que me detenha nessas regiões, e tendo já há muitos anos grande desejo de visitar-vos, eu o farei quando for à Espanha; pois espero ver-vos de passagem e ser encaminhado por vós para lá, depois de experimentar um pouco da vossa companhia [...] Tendo concluído isso, e certificando-me de que receberam esse fruto, partirei para a Espanha, passando para visitá-los” (Romanos 15:23,24,28). Não sabemos ao certo se Paulo concretizou esse desejo, mas sabemos que já no ano 100 d.C. o Evangelho tinha chegado na península Ibérica. Segundo a tradição, Tiago Zebedeu, irmão de João, após o Pentecostes do ano 33 d.C. teria cruzado o Mediterrâneo e chegado à província da Hispânia. No entanto, existe mais lenda que fatos históricos em relação a esse discípulo de Cristo, que foi morto por ordem de Herodes (cf. Atos 12:1,2).
Na verdade a história do cristianismo na Espanha possui poucas informações, mas pelo desenvolvimento do cristianismo entre os anos 100 a 313 d.C. a fé cristã tornou-se uma forte influência civilizadora no sul da Gália, na Espanha, na Itália e no norte da África (NICHOLS, 1960, p.29). Entre 313-590 d.C. o mundo ocidental viu a fé cristã sair das catacumbas e chegar ao palácio imperial, primeiro com Constantino (272-337 d.C.), que tornou o cristianismo uma religião permitida e depois com Teodósio I (347-395 d.C.), que tornou a fé cristã em religião estatal. Aliás, Teodósio nasceu na Espanha.
A partir do ano 409 d.C. a região começou a sofrer as invasões dos povos germânicos, o que produziu grande destruição, pois as instituições civis romanas desapareceram. Depois chegaram os suevos e visigodos, povos que haviam sido cristianizados a partir da heresia ariana. Esse período foi conturbado, pois a maioria da população cristã dessa região era formada pela tradição de Nicéia, que aceitava a Trindade, e os invasores começaram a perseguir os cristãos tradicionais. Nos séculos IV e V, num ocidente que se desintegrava, a Igreja foi a única instituição que permaneceu de pé e protegeu os pobres, pois contava com hospitais, refúgios para estrangeiros, orfanatos e auxílio às viúvas. No entanto, esse período também marca uma grande leva de cristãos nominais, que nada conheciam do cristianismo.
A partir do século V, enquanto Leão I (400-461 d.C.) sustentava e fortalecia o poder do bispo de Roma, a Espanha fortalecia-se seguindo o catolicismo de Roma. Tudo começou com a conversão do rei visigodo Recaredo I (586 d.C.), que passou a proteger a Igreja e assim iniciou-se a forte união entre Igreja e Estado na Espanha. Isso ficou evidente nos Concílio de Toledo – celebrado entre 397 a 702 – que tratavam de assuntos religiosos como políticos.
No século VIII os árabes conquistaram sem dificuldade o norte da África e boa parte da península Ibérica (711-718 d.C.), mantendo os reinos cristãos mais ao norte da região. Aos cristãos e os judeus foi permitido cultuar à sua maneira, desde que pagassem tributos. No século XI os reinos árabes se fragmentaram em reinos rivais e isso favoreceu os reinos cristãos que começaram um processo de expansão. As idas e vindas de guerras de reconquista durou sete séculos até a queda de Granada em 1492. Em Portugal a reconquista terminou mais cedo, em 1249.
Na transição da Idade Média para a Idade Moderna surgiram os reis católicos, Isabel e Fernando, unindo as duas coroas, a de Castela e de Aragão. Eles foram importantes na formação do reino espanhol, bem como o estabelecimento do catolicismo romano. Eles foram responsáveis pela expulsão dos judeus da Espanha em 1492 e em 1502, um novo édito dizia que somente cristãos eram permitidos no território da monarquia. Muitos judeus e mouros foram batizados, mas isso resultou numa rebelião que terminou com a expulsão dos mouros em 1609.
A Reforma Protestante iniciada por Lutero em 1517 chegou à Espanha em 1519 com os primeiros escritos traduzidos, especialmente o comentário aos Gálatas. Entretanto, o rei Carlos V (1500-1558) foi importante para a supressão do protestantismo na Espanha, pois foi ele quem forçou o Concílio de Trento (1545-1563), que deu início a Contrarreforma. A inquisição, que chamava os protestantes de luteranos, embora a maioria fosse de linha calvinista, começou uma grande perseguição contra as comunidades protestantes, surgindo assim os primeiros mártires protestantes. O primeiro “ato de fé” contra os protestantes foi celebrado em Valladolid em 21 de maio de 1559, quando catorze pessoas foram mortas e outras dezesseis foram castigadas publicamente.
Diante da perseguição muitos protestantes espanhóis fugiram para a Suíça, Alemanha e Inglaterra. Em 1543, Francisco de Enzinas publicou sua versão do Novo Testamento, baseado no texto grego de Erasmo de Roterdã, a quem dedicou ao imperador Carlos V. Em 1556, João Pérez, natural de Sevilha, publicou sua versão do Novo Testamento e dos Salmos. Mas certamente o trabalho mais importante foi de Casiodoro de Reina (1520-1594), que fugindo da Inquisição e depois de muitos contratempos, conseguiu publicar a Bíblia em 1569. Em 1602, Cipriano de Valera (1532-1602) publicou a revisão de Casiodoro e chegou a ser a versão mais usada pelos protestantes de língua espanhola até hoje.
No final do século XVIII e início do século XIX se deu uma forte expansão das missões protestantes, embora fossem clandestinas. Em 1868 os protestantes receberam a liberdade de culto chegando a ter trinta mil membros. Mas na guerra civil espanhola, os franquistas perseguiram os protestantes, obrigando muitos pastores a abandonar o país. Acabada a guerra, o ditador Francisco Franco (1892-1975) mandou confiscar todas as Bíblias não católicas e fechar todas as escolas protestantes. Foi suprimida a liberdade de consciência e o franquismo decidiu expurgar a memória protestante na Espanha. Somente depois da Constituição de 1978 que os protestantes tiveram restaurada a liberdade religiosa pela lei espanhola.
Quando você orar essa semana, coloque diante de Deus a Espanha. Ore para que Deus amplie Sua obra naquele país. Embora mais de 76% da população se diga cristã (católica), mais de 20% se diz sem religião ou ateu. Ore para que os projetos missionários alcancem esse povo que hoje é escravo do consumismo, do secularismo e da frieza espiritual.

Uma boa semana! Fraternalmente em Cristo, Pr. Gilson Jr.

segunda-feira, 29 de junho de 2015

MUITO ALÉM

MUITO ALÉM

Deus não espera de nós apenas aquilo que está na medida da capacidade humana. A obra de Deus é sobrenatural e está além da nossa capacidade. Os campos são visíveis e são apenas o ponto de partida do que Deus pode fazer a partir do momento em que nós vestirmos o uniforme do Exército de Cristo.

Desta forma, não há “um craque” ou “alguém superdotado”, há simplesmente vasos frágeis nas mãos de um poderoso Deus. Pois é Ele quem tira força do fraco e levanta o abatido de espírito. Ele é quem usa o tolo para confundir o sábio e da miséria traz abundância.
Porque Ele é o Senhor, dele é a obra e é Ele quem deseja salvar pecador da condenação eterna, portanto Ele que usa a quem se dispõe e os capacita a servir muito além do esperado.

Ele espera muito mais de nós porque é Ele quem vai nos usar muito além daquilo que pedimos ou pensamos. O local onde estamos é apenas o ponto de partida para a ação de Deus, por isto a vitória vai muito além dos campos.

É exatamente a partir de onde você está que Deus vai começar a usá-lo, seja na escola, universidade, trabalho, vizinhança, no esporte, nas amizades, etc. Desta forma basta determinar o ponto de partida e deixar que Deus o use sabia e poderosamente.

 “Ora, àquele que é poderoso para fazer tudo muito mais abundantemente além daquilo que pedimos ou pensamos, segundo o poder que em nós opera, A esse glória na igreja, por Jesus Cristo, em todas as gerações, para todo o sempre. Amém”. Efésios 3.20-21.

Pr. César Soares
Missionário Itinerante
Coordenador Macrorregião São Paulo – Zona Norte-Oeste da Capital

sábado, 20 de junho de 2015

ANGÚSTIA, DESESPERO, SOLIDÃO E DOR


ANGÚSTIA, DESESPERO, SOLIDÃO E DOR

Meu nome é Carmem (nome fictício) tenho 44 anos e me encontro no cárcere desde 2002. Tenho sete filhos, mas, desde a minha prisão, não tenho contato físico com eles, só por meio de cartas. Cinco dos meus sete filhos estão em abrigos. Enquanto vivia em liberdade, eu lutei para dar o que comer e vestir para todos eles.
Fui condenada a uma pena de 52 anos, acusada de participação da morte de 4 pessoas de uma mesma família. Isto porque, a justiça entendeu que eu dei apoio moral e material ao meu ex-marido e o outro amigo dele para cometer os crimes.
Não quero aqui dar uma de vítima e acusar a sociedade ou a justiça, mas, meu único erro foi me envolver com uma pessoa voltada para a criminalidade.
Passei por várias cadeias até chegar no local onde estou, Penitenciaria Feminina de Santana. Angustia, desespero, solidão e dor sempre estiveram presentes em meu coração. A saudade dos meus filhos é certamente o maior desafio a ser enfrentado. Já passei por algumas rebeliões dentro da cadeia e posso afirmar que já experimentei coisas terríveis no cárcere.
O medo, a incerteza e a depressão estão sempre presentes, atormentando nossa alma e perturbando nosso sono. Várias vezes presenciei colegas tentarem o suicídio.
É justamente nesses momentos de desespero que encontramos pessoas que trazem uma palavra de esperança. Após 8 longos e sofridos anos de prisão eu ouvi a Palavra de Deus através dos irmãos da Igreja Batista que anunciaram a liberdade que podemos encontrar em Jesus Cristo.
Tudo transformou-se em minha vida. Eu que antes era depressiva, vivia no meu canto chorando e lamentando meu erro, aceitei o perdão de Deus para os meus pecados e compreendi o quanto Ele me ama e me aceita do jeito que eu sou.
A palavra de Deus tem sido, de fato, o alimento para minha alma nesse lugar. Como precisamos ouvir a Palavra que liberta! A cada sábado, esperamos ansiosamente pela visita dos irmãos e pastores para alegrar o nosso coração com os cânticos e a doce palavra que nos tira do lamaçal do pecado e coloca-nos sobre a rocha.
Quero sempre servir a esse Deus e sei que um dia vou sair desse lugar e poderei reconstruir minha família e demonstrar a todos o poder de Deus que transforma a qualquer pecador.

Fruto do trabalho missionário entre Presídios
Liderado pelo Pr. Ozeías Nascimento Sampaio.  

Esse e outros testemunhos foram preparados por nossos missionários, apresentando os frutos do trabalho.Outros testemunhos e materiais estão disponíveis no site : www.cbesp.org.br

quinta-feira, 11 de junho de 2015

CRER NAS PROMESSAS DE DEUS

CRER NAS PROMESSAS DE DEUS

O ser humano, apressado em satisfazer os desejos do próprio coração, enganosamente tem caído nas armadilhas da precipitação quando o preferível seria ponderar realisticamente os prós e contras das escolhas e decisões que toma. O exemplo de Esaú, descrito em Gênesis 25.29-34, é típico, pois, por causa da fome que sentia, precipitadamente, vendeu o seu direito de primogenitura ao irmão Jacó. Na hora da fome, Esaú valorizou mais a necessidade do momento do que a do amanhã. Arrependeu-se depois, mas foi tarde demais. Por uma necessidade momentânea, perdeu o futuro de vantagens imensuráveis garantidas pelos princípios divinos da primogenitura.
Voltando para a realidade dos nossos dias, vemos o ser humano trocando o futuro correto pelo incorreto por fazer escolhas e tomar decisões, no dia-a-dia, sem pensar seriamente nas suas consequências. O futuro a que me refiro, não é apenas daqui a dez, vinte, sessenta ou mais anos, mas, sim e principalmente, à eternidade. Da parte de Deus, todos nós temos a promessa de um futuro eterno de vantagens imensuráveis, mas, desprezando essa necessidade, muitos têm preferido vendê-lo ou ignorá-lo para satisfazer as suas necessidades da presente vida, sem pensar no que estão perdendo em relação ao amanhã. Definem o seu campo de vida e sobrevivência distante de Deus, portanto, incorretos quanto ao futuro.
Ninguém deixa de viver aqui e agora se priorizar Deus no seu viver. Pelo contrário, “Quem crer em mim, como diz a Escritura, do seu interior fluirão rios de água viva” prometeu o Deus Filho, Jesus Cristo (João 7.38).
Proclamemos, pois, nós que cremos nas promessas grandiosas do Deus vivo, que a esperança de um futuro correto de vantagens imensuráveis está nas mãos de Jesus Cristo porque só Ele é Deus.
Pr. Riyuji Yanaguita
Missionário Itinerante
Coordenador Macrorregião São Paulo
Setor Guarulhos – Salesópolis

quarta-feira, 3 de junho de 2015

AQUELE QUE CRÊ EM MIM, NUNCA ESTARÁ SOZINHO!

AQUELE QUE CRÊ EM MIM, NUNCA ESTARÁ SOZINHO!

Amigo Jesus..., é assim que costumo conversar com Deus. O próprio Jesus disse que nos chama de amigo e em Mateus 28:20 temos a promessa mais linda da história: “Eis que estou convosco até o fim dos séculos”.
Diante disso, sou levado a refletir em uma historia que aconteceu no período Nazista.
Um homem que estava em um terrível e impiedoso campo de concentração assiste o enforcamento de algumas crianças. Os soldados ou até mesmo outros presos indagavam: Onde está Deus agora?
Sua resposta é direta e profunda: Deus está ali, naquela criança. Sofrendo, chorando e morrendo com ela.
Onde está Deus? É uma pergunta que milhares de pessoas fazem. Onde está Deus nesse sofrimento, nessa dor e nesse luto?
Queremos e precisamos saber da resposta. Talvez, nunca a tenhamos, mas podemos garantir com toda a certeza que Ele estará conosco até o fim.
Na resposta do homem, Deus está presente em todos os momentos. Não como o agente da ação boa ou ruim que acontece, mas como um amigo, pai ou mãe, que se compadece de seus filhos e chora, sofre e lamenta com eles todo o sofrimento. Deus não é o gênio da lâmpada mágica. Ele não está a nosso dispor para resolver os problemas e as dificuldades da vida.
Isso não significa que Ele não tenha poder ou não possa mudar situações, mas demonstra seu Amor incondicional. Dostoievski escreve em sua obra “Demônios” que um Deus que não pode sofrer com seus filhos, não pode ama-los. Porque amar, muitas vezes significa sofrer.
A maior preciosidade que encontramos em Deus alem de sua salvação, é a promessa de que aquele que crê em mim (Cristo) jamais estará só.
Mais do que esperar que Deus resolva os problemas, devemos enxergá-lo como o amigo que estará sempre conosco, sorrindo ou sofrendo, não importa a situação.
Deus estará conosco sempre e isso é suficiente.


Missionário Diego Cardoso Florêncio
Etnias Rastafáris